Exercitando o Perdão – Amisterlane Araújo*

Na última semana uma das notícias que mais teve repercussão na mídia, foi o julgamento de Lindemberg Alves, acusado de ter sido o responsável pelo homicídio de Eloá Pimentel, sua ex-namorada e pela lesão corporal sofrida pela amiga da vítima, Nayara.

Entretanto, a mídia ensinou a sociedade a considerar o réu culpado antes mesmo de ser julgado. É importante lembrar que, a nossa constituição é contundente ao resguardar o princípio do devido processo legal e da ampla defesa, além do que preleciona o ordenamento penal, que diz que o réu só é considerado culpado após o trânsito em julgado, ou seja, quando não couber mais nenhuma via processual para recorrer.

Mas, deixando toda essa parte técnica de lado, o que de fato mais me chocou foi, quando a advogada de Lindemberg Alves pediu a remissão judicial em favor do seu cliente, por razões emocionais, pedido que foi denegado pela  juíza Milena Dias, foi ver que, quando o referido fato veio à tona na mídia, a advogada do réu foi logo considerada a grande vilã de toda a história, e o que é pior, vários cristãos, concordaram em condenar o acusado, antes mesmo do fim do processo e análise probatória!

Não estou aqui defendendo o réu, nem querendo inocentá-lo, contudo, o fato é que não se pode julgar alguém de tal maneira, ainda mais quando se resguarda princípios como os que Jesus Cristo ensinou.

Ora, nossos princípios cristãos nos ensina que todos nós podemos e devemos ser perdoados pelo Pai, desde que se arrependa de todo o coração.

 Como bem explicitou, o Rev. Pedro de Mira, em um post na rede social, parafraseando-o ele mencionou: “Se Jesus agisse da maneira como nós agimos em relação ao acusado do caso Eloá nenhum de nós estaríamos perdoados, é válido ressaltar ainda, que o fato de está perdoado, não significa está isento de responder pelos atos.”

Assim, o Tribunal do Júri, achou por bem condenar o réu, sendo a sentença prolatada pela juíza Milena Dias com todas as agravantes e atenuantes que foram aplicáveis ao caso no total de 98 anos e 10 meses. Porém, é importante esclarecer irmãos, que o processo não está findo, inclusive a advogada do réu já se pronunciou e disse que vai pleitear pela anulação do julgamento pelo júri.

Por fim, o que quis demonstrar é que nós como cristãos não devemos agir precipitadamente condenando alguém sem quaisquer provas, capazes de demonstrar a culpa da pessoa acusada. Ademais, foi o próprio Cristo que nos ensinou a perdoar e a tirar primeiro o argueiro dos nossos olhos para depois tirar o do irmão.

     “Por que vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me tirar-te do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeira a trave do teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro do olho de teu irmão.” Mateus, 7: 3-5

*Pré-concluinte do curso de Direito da UNIPÊ em João Pessoa e membro comungante da Igreja Presbiteriana Filadélfia no Valentina Figueiredo.

7 Respostas para “Exercitando o Perdão – Amisterlane Araújo*

  1. Excelente arguição, futura Doutora. Já começou bem, pois, não são todos advogados que tem essa coragem. Pois muitos preferem seguir a onda da imprensa ou mesmo da sociedade alienada. O Direito não é brincadeira, não! E você como uma cristã tambem demonstra compromissos. Parabéns!
    Ana Acioly Mendes

  2. Querida irmã Amisterlane. Excelente o teu comentário! Realmente não houve dúvida sobre a culpa do Lindemberg. Eu até entendo a revolta da população. Infelizmente, não conseguimos entender como as leis no nosso país possibilitam as “brechas” tão comentadas a favor dos criminosos. Data venia quando você diz que a mídia ensinou a sociedade a considerar o réu culpado antes mesmo de ser julgado, eu discordo, como um formador de opinião, entendo que a advogada de defesa teve como estratégia tentar desviar o foco do caso em favor do Lindemberg, tentando jogar a culpa na mídia. Parabenizo você pela matéria e pelo alerta a nós filhos de Deus. O nosso papel é orarmos uns pelos outros e também pelo Lindemberg para que ele se arrependa e tenha um encontro com Cristo.

  3. Quem se condenou antecipadamente foi o Lindemberg, quando deu os tiros que matou a Eloá e feriu no rosto a Nayara. Deus sim, pode perdoar se ele se arrepender realmente do que fez, e não apenas sentindo remorso, pela brutalidade que causou, mas independente do perdão de Deus, ele tem que cumprir a pena imposta pela juíza, que com certeza se fosse de algum parente seu, provavelmente, você acharia muito branda, uma vez que no Brasil, com arrependimento ou não, só se passa no máximo 30 anos na cadeia

  4. Me desculpe meu caro Fernando. Não sou advogado da futura advogada Amisterlane, mas, em nome da justiça quero defendê-la, pois, em nenhum momento ela defendeu o que foi praticado pelo Lindenberg. Pelo que entendi no escrito dela é que o costume é condenar as pessoas antes e independente dos processos legais. Inclusive ela deixa bem claro que perdoar não significa deixar de aplicar a pena devida. Peço ao amado que releve, aliás, releia.

    Paulo Feitosa
    Cascavel/Paraná

  5. Realmente precisamos rever alguns de nossos conceitos, quase sempre estamos esquecendo do PERDÃO. Pedimos tanto, mas não sabemos dar. Deus a abençoe Amisterlane!!

  6. Primeiramente, gostaria de elogiar o texto. Claro, sucinto, objetivo e bastante lúcido.
    Pois bem. É difícil para nós humanos, mesmo os nascidos de novo, compreendermos bem o sentido prático do perdão e, mais difícil ainda, é saber diferenciar o perdão das conseqüências pelos atos ilícitos (lato senso) que cometemos.
    Como muito bem colocou Amisterlane, perdoar não é sinônimo de isenção de culpa ou de pena. Talvez semanticamente até seja, não posso entrar neste mérito por não ser da área. Mas, tenho certeza que biblicamente não.
    Quanto às questões técnicas do julgamento, é difícil emitir opinião sem compulsar os autos, haja vista que, como disse a autora do texto, em outras palavras, é claro; o que a mídia expõe, muitas vezes, é recheado de opinião e ideologias dos veículos de comunicação que não condizem com a realidade. Sem mencionar o fato de que em um país de injustiças como o nosso o IBOPE aumenta todas as vezes que há uma pseudo “comoção social”, logo, ela, a mídia, trata imediatamente de criar uma comoçãozinha sempre que possível.

    Que o Poderoso Deus continue a nos abençoar!

  7. Amisterlane,ótimo seu artigo, continue escrevendo e expressando o seu talento na sua área, e sobre tudo demostrando o amor de Cristo para com o próximo
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