UFC: Onde foi parar nossa humanidade? por Flávio Lúcio Vieira*

Flavio LucioConfesso que sempre achei no mínimo sem graça essas lutas da UFC; o Ultimate Fighting Championship que é a maior organização de artes marciais mistas do mundo, que contém os maiores lutadores do esporte e produz eventos ao redor de todo o planeta. E hoje ao ler o artigo escrito e publicado pelo professor e cientista político, Flávio Lúcio Vieira (foto), que por sinal foi meu professor de Teoria da História na UFPB, maturei mais ainda a minha aversão a esse tipo de confronto que considero selvagem…bárbaro!

da redação, diácono Eliezer Gomes

Eis o artigo em sua integra.

UFC: Onde foi parar nossa humanidade?

Eu sempre me indaguei a respeito dos motivos de tanta audiência que tem o UFC. Uma luta que a realização plena da transformação da violência, da força bruta sem limites, em espetáculo.

Multidões se reúnem para admirar esse show pelo mundo afora. Aqui no Brasil, ficam acordadas madrugada adentro para assistir homens e mulheres destruindo-se mutuamente, como se estivessem num Coliseu eletrônico.

Do outro lado da tela, romanos contemporâneos entorpecidos pelo gosto da violência. Quanto mais hematomas, quanto mais sangue, melhor.
Eu lembro dos debates a respeito da violência do boxe de décadas atrás. Hoje, eu vejo que o boxe é uma luta entre cavalheiros, cheia de regras e de limites.
É possível até mesmo enxergar hoje alguma arte no boxe, alguma beleza nos movimentos dos lutadores, alguma ética que limita os ataques e lembra sempre que aquilo se trata de um esporte.
Eu lembro da ingenuidade do telequete, onde a violência era apenas simulada, mas já me causava essa sensação de desconforto.
Já o UFC, é a força bruta transformada em arte-marcial, onde lutadores já inconscientes continuam a receber sem misericórdia violentos golpes na cabeça, como se vencer justificasse tamanho ato de animalidade.
E é exatamente nesse momento que a massa entra em delírio, como se desejasse que o juiz jamais parasse a luta.
Quando eu vi hoje a foto da perna de Anderson Silva se partindo ao meio e os vídeos mostrando em câmera lenta como isso aconteceu, eu percebi que não era um membro de um lutador brasileiro e seu destino que estavam em jogo: era nossa humanidade, de quem nos distanciamos mais a cada dia.
Por isso, foi inevitável a lembrança da eterna frase de Chaplin e do quanto ainda vale que ela seja repetida hoje:

“Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar. Os que não se fazem amar e os inumanos!”

* Cientista Político

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Uma resposta para “UFC: Onde foi parar nossa humanidade? por Flávio Lúcio Vieira*

  1. Paulo Roberto Rodrigues de Oliveira

    A Confederação Sinodal Noroeste da Bahia, deseja aos Homens Presbiterianos de todo Universo as mais ricas sortes de bençãos concedidas pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

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